Bocajona, termo que não vem no dicionário, era termo que ouvia em pequeno para designar os que diziam enormidades. Portanto, é apenas em tom depreciativo de uma opinião que escrevo o epíteto. Se escrevesse palerma seria quase o mesmo, embora com maior vigor pejorativo.
O termo aplica-se a Ana Gomes, em entrevista ao i de hoje. O jornal achou por bem chamar à primeira página um título garrafal tirado dessa entrevista: "Não percebo como foi possível condenar o Carlos Cruz. Eu li o processo."
A bocajona leu o processo, portanto. Quando, não o diz. Se tem competência para ler um processo e percebê-lo também ficamos sem saber, embora com fortes suspeitas que não sabe ler. O processo tem dezenas de milhar de páginas, cuja leitura consumiria a esta leitora de processos mais tempo do que dispõe para trabalhar durante anos a fio. Portanto, a conclusão lógica é que além de bocajona é intrujona.
Provavelmente leu excertos que lhe interessavam, na altura da instrução, em que o seu correligionário Paulo P. foi despronunciado e salvificamente apartado dos demais arguidos, por uma decisão de Relação com um voto de vencido.
A bocajona não foi ao julgamento do caso, não ouviu as vítimas e nem sequer sabe muito bem o que sucedeu porque diz não perceber, o que aconteceu " na altura em que a direcção de Ferro Rodrigues, a que pertencia, se viu envolvida no processo Casa Pia."
Mas sabe dizer que isso foi uma cabala. E até cita sem nomear os autores: "alguém, dentro do PS que tivesse interesse em derrubar Ferro Rodrigues.Não foi por acaso que foi Paulo P. a ser envolvido nesse caso. Era a pessoa que estava a tomar medidas de saneamento. Inclusivamente de funcionários do partido que não existiam e recebiam dinheiro." A acusação é grave mas vai cair em saco- roto.
Para a bocajona todo o processo é uma cabala para arranjar bodes expiatórios a fim de entalar a então direcção do PS de que ela fazia parte ( e poderia ter sido ministra...) e como prova da cabala apresenta o relatório do SIS elaborado pelo então director Rui Pereira. O qual já disse publicamente e por várias vezes que não acredita em cabala alguma, contrariando frontalmente a bocajona que continua a dar-lhe e a burra a fugir...
Em cereja no topo do bolo desta entrevista infame está o descrédito e a lama que lança sobre Catalina Pestana: "Essa mulher, para mim, não tem qualquer credibilidade. Foi directora de um colégio da Casa Pia e nunca viu nada e de repente viu tudo." E portanto, é assim: quem leu o processo, como ela leu e do modo como terá lido, sabe tudo e merece a credibilidade da fé. Quem conhece os meandros do caso, por dentro e por ter falado com as vítimas, nada sabe.
Em cereja no topo do bolo desta entrevista infame está o descrédito e a lama que lança sobre Catalina Pestana: "Essa mulher, para mim, não tem qualquer credibilidade. Foi directora de um colégio da Casa Pia e nunca viu nada e de repente viu tudo." E portanto, é assim: quem leu o processo, como ela leu e do modo como terá lido, sabe tudo e merece a credibilidade da fé. Quem conhece os meandros do caso, por dentro e por ter falado com as vítimas, nada sabe.
Para recentrar o que pensa e diz esta bocajona, mais vale repescar o que já foi escrito há quatro anos, aqui na Grande Loja e portanto antes do julgamento que entretanto decorreu e no qual, segundo a bocajona, foram enganados dezenas de profissionais do foro que investigaram, apuraram, julgaram e condenaram.
A pessoa que assim se pronuncia, sobre a sua prova de fogo de manifestante pelo regime marxista-leninista-maoista, actualmente no PS mais ortodoxo, social democrata e capitalista, continua depois a explicar a sua particular teoria sobre o que se passou no caso Casa Pia, que envolveu pessoas do PS e por que é que não perdoa a Durão Barroso, a sua não ingerência no caso da Casa Pia. Escutemo-la em voz off:
“ [Durão Barroso, a propósito do caso Casa Pia] portou-se miseravelmente. Não foi um democrata. Acredito que tudo isto foi feito para descredibilizar a Justiça e para desviar as atenções dos verdadeiros responsáveis. Houve um objectivo claro de atacar politicamente aquela direcção do PS. Quando me refiro a Barroso, não estou a dizer, de maneira nenhuma, que esteve implicado nessa urdidura. Apenas não fez nada para a desmontar. Como chefe de um partido democrático devia ter percebido que o que estava em causa era um ataque antidemocrático a outro partido. “ (…)
“A minha convicção é de que [a urdidura] partiu de certos sectores da direita ligados a interesses diversos. E não posso excluir que esses interesses também estivessem no PS. Ferro e Pedroso foram transformados em alvos.”
Á pergunta inevitável sobre o porquê, Ana Gomes, especula: “ Talvez porque estivessem muito empenhados em limpar o esquema de financiamento dos partidos. Queriam torná-los muito menos vulneráveis à corrupção”
Pronto! É esta a essência do pensamento da eurodeputada do PS, activista de blogs e antiga militante do MRPP, sobre o caso: houve uma cabala de alguém “ligado à direita”, que pretendeu atingir particularmente os dirigentes do PS, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso que se tornaram os alvos da cabala, com uma motivação à vista dela, a de sapar os esforços denodados destes democratas impolutos para acabar com o esquema de financiamento ilegal dos partidos! Isto, em 2003. Ferro e Pedroso estiveram no governo PS, desde 1995, mas só em 2003 tentaram acabar com o polvo da corrupção...e com isso e por causa disso, foram envolvidos no escândalo ignóbil, sustentado por uns tantos putos sem credibilidade, marionetas de interesses ocultos e ainda por descobrir, mas plenamente conotados pela entrevistada, com pessoas "de direita" e alguns interesses até no PS.
Ana Gomes, não deve escutar o que diz Rui Pereira do mesmo PS, responsável pela área de reformas penais que se seguiram ao escândalo da cabala e que desembocaram em apertadas garantias que protegem cada vez mais os criminosos em detrimento das vítimas em geral. Se escutasse, deveria saber que Rui Pereira que então dirigia o SIS, já declarou publicamente que não acredita em cabalas, ou seja, em urdiduras.
Porém, a questão aqui, neste caso concreto não se trata apenas de analisar o percurso pessoal e político da fantástica Ana Gomes que já defendeu mirabolâncias e continua a surpreender, ainda mais do que o ilhéu Jardim.
Ana Gomes, em cada escrito e em cada entrevista, revela-se na sua extrema candura e também na sua perfeita miopia derivada daquilo que a mesma confessa na entrevista: “as minhas escolhas, regra geral, são puramente emotivas”. A sua história sobre o modo como se tornou militante do PS, com a intervenção de Durão Barroso, vale, só por si, a entrevista. Ana Gomes, para quem não saiba, é diplomata de profissão! Perdoe-se, mas contextualize-se por isso mesmo, as enormidades e as deficiências de análise.Ah! E acrescente-se em modo de epílogo que Ana Gomes, acha que o pior que lhe pode suceder é “ficar em casa a ganhar a porcaria do salário que lá tenho que não chega a dois mil euros, e não me darem nada para fazer”! Esta declaração, só por si, não vale a entrevista, mas vale um descrédito geral, para quem ganha o que ganha, no nosso país.








